Um trocadalho do carilho. Ócios do Orifício tem de tudo um pouco, pra quem está com a cabeça oca. De cozinha à Jimi Hendrix. Pitadas de humor e música, assuntos do cotidiano e coisas de quem não tem o que fazer mesmo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Som da Semana - TCHOPU
Conforme já disse no "Caput" do Blog, pitadas de música serão frequentes por aqui.
Essa semana eu trago uma banda do RJ, que tem um som que faz jus ao nome - TCHOPU.
TCHOPU é como se pronuncia Teahupoo, uma das ondas mais perigosas e desafiadoras do mundo, que quebra sobre uma rasa e afiada bancada de coral localizada no Tahiti.
Numa era onde quase tudo são flores, e coloridas ainda por cima, TCHOPU ousou e veio com uma proposta de som tão densa quanto a onda tahitiana, mas muito bem trabalhada e com letras que realmente querem dizer alguma coisa. Mas engana-se quem pensa que TCHOPU é apenas som pesado, há também versões acústicas de alguns de seus trabalhos, e muito bem arranjadas como as versões originais.
Em seu segundo trabalho autoral, TCHOPU concilia letras expressivas e muita criatividade, não faltam riffs de guitarra ou belas melodias que se encaixam nas letras com perfeição.
A banda é formada por Birão, Sérgio, Thiago e Romulo, e já estão ganhando um belo espaço na cena do rock alternativo no RJ. Atualmente estão classificados para a 2a etapa do "Venha para o Novo", uma espécie de concurso de bandas realizado pela Caixa Econômica Federal.
Quem quiser curtir o som da TCHOPU basta acessar o www.myspace.com/tchopu ou o site oficial da banda http://www.tchopu.com.br/. Destaque para as músicas 'Voltar a ter fé' e 'Rosas secas'.
Rock on!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Zé Trampinho
Hoje eu vou falar sobre um personagem que acredito ser muito comum na vida de muitas pessoas, e que eu carinhosamente apelidei de "Zé Trampinho".
Essa figura normalmente é alguém mais velho que você, mas que não tem porra nenhuma pra te acrescentar e ainda por cima se caga de medo de perder o emprego. Ele geralmente não tem muito estudo, e sabe disso, e também por isso teme ficar fora do mercado de trabalho.
Então por ser uma pessoa que já tem certa experiência, ele sabe dos seus limites. Mas de maneira nenhuma ele pode expor que tem falhas, fato que o leva ao comportamento típico n°1 do Zé Trampinho: tentar levar os créditos por algo que ele não fez. E isso emputesse até o Dalai Lama. O lazarento, muitas vezes na presença da vitima, tem a cara de pau de falar "então, EU dei essa idéia aqui ..." e o dono verdadeiro da idéia pensa "Mas que filho da puta !!" só que ao mesmo tempo sabe que o Zé Trampinho é mais velho na empresa, e por naquele momento estar na frente do chefe maior (de quem ele já puxa o saco a uns 15 anos, mais tempo do que você tem de registro na sua carteira), a vitima em questão não manifesta a vontade quase incontrolável de mandar aquele sacripantas pra puta que pariu.
O Zé Trampinho chega cedo e vai embora tarde. Ele tenta deixar o mínimo possível de brechas para que alguém fale mal dele. Ele finge tratar bem a todos, alguns até atrevem-se a dar tapinhas nas costas do pessoal mandando aquele "ooopa, e aí, tudo bem com você?" como se ele realmente se importasse com alguém. Nem preciso dizer que ele sabe de tudo, ele já fez de tudo e o que você está pensando está errado, e que ele já tem uma sugestão pra te dar.
A pior coisa que pode acontecer, e normalmente acontece, é um chefe deixar o Zé Trampinho pensar, mesmo que por um minuto, que ele tem um pouco mais de poder que o resto da equipe (que pela hierarquia estão todos no mesmo nível). PRONTO, era a brecha que ele queria. Se antes ele precisava mostrar serviço a qualquer custo, imagina agora. Ah, sim, o Zé Trampinho se "auto-intitula" responsável pela equipe, e sai tomando conta da vida de todo mundo.
Não contente apenas com estar se sentindo o fodão, ele quer participar de todas as decisões que cada membro da equipe toma. Ele quer ser copiado em todos os emails que o pessoal recebe, quer se inteirar de todas as conversas para que assim, ele possa começar o comportamento típico n° 2: fazer o relatório dos outros como se fosse dele; se antes ele levava os créditos dos outros no "papo", agora é com documento formal.
Quando ele atinge esse estágio de pseudo-chefia, fica muito difícil ter volta. Claro, porque ele sabe que não tem capacidade de gerir aquilo tudo, então ele não pensará meia vez antes de botar no rabo do primeiro que aparecer, quando algo errado acontece. E sim, vai acontecer. Sem sentimento de culpa nenhum, ele transfere a responsabilidade (que ele mesmo roubou) de volta em um milésimo de segundo, o que chamamos de "tirar a pica do rabo e por no de outro". Isso ele faz com maestria, e o pior, com o Zé Trampinho agindo como se fosse chefe, o chefe de verdade fica cada vez mais distante, o que faz o energúmeno ter cada vez mais audácia. Mas é aí que ele se fode.
Pode até chegar um momento onde o chefe crie uma sub-hierarquia, um posto mais alto para o Zé Trampinho, e ele sem perceber que aquilo é uma emboscada, voa com unhas e dentes no novo cargo. Nesse momento, a situação será crítica e você só tem duas coisas a fazer: ou pede as contas, ou liga o foda-se e deixa ele se ferrar sozinho (o que requer paciência).
Se você for paciente, vai presenciar uma cena quase orgasmática. O dia que o Zé Trampinho se fode.
Ele cada vez mais fica envolto no próprio ego, não mais escuta a sua equipe, que são as pessoas que REALMENTE fazem o trabalho. Tudo é do seu jeito, ele nunca está errado. Até que um dia ele percebe que a bomba vai explodir no seu colo, e desesperado ele começa a pedir ajuda da equipe, em vão. Muitos foram os avisos do pessoal que ele negligenciou. Agora já não dá mais tempo, o cliente já está puto com ele, o chefe fica mais puto ainda, porque pensou que podia deixar aquela equipe na mão dele sem se preocupar, e quando cai em si, a situação está caótica. E enfim chega o grande momento. Não importa em que segmento você trabalhe, eu creio que a cena será essa em 99% dos casos: O chefe chega pisando duro, cedinho pela manhã e vai pra sala dele, deixando com aquela delicadeza um recado com a secretária "quando o Zé Trampinho chegar mande que vá direto pra minha sala" e bate a porta. A equipe já sabe que vai dar merda.
Nesse dia o Zé Trampinho se atrasa, pela primeira vez naquela empresa. Ele busca papéis, imprime emails, tudo numa tentativa desesperada e inútil de evitar o óbvio.
Quando ele chega e a secretária dá o recado, ele quase se caga. Entra na sala do chefe, e os esporros são tão altos que todo mundo ouve, e comemora discretamente. Depois de alguns minutos ele sai de cabeça baixa, mal tem coragem de olhar pra alguém. Passa reto, não fala com ninguém, arruma suas coisas e vai embora; enquanto a equipe vai para um barzinho depois do serviço para comemorar o enterro do Zé Trampinho.
Se você se identificou com algum comportamento do Zé Trampinho, acorda, tem alguma coisa errada! Pense nas suas atitudes, na ética, e no valor que as pessoas que trabalham do seu lado têm pra você, e pra empresa. Não tire créditos de ninguém, pelo contrário, divulgue seu colega que teve uma boa idéia. Isso faz bem pra ele e pra você. Não seja um bostalhão egoísta, aprenda a trabalhar em equipe.
PS: o mesmo comportamento também é valido para as Marias Trampinho.
PS2: acreditei na correção ortográfica do Word, mas acho que tem coisa errada aí. Então não me culpem!
Essa figura normalmente é alguém mais velho que você, mas que não tem porra nenhuma pra te acrescentar e ainda por cima se caga de medo de perder o emprego. Ele geralmente não tem muito estudo, e sabe disso, e também por isso teme ficar fora do mercado de trabalho.
Então por ser uma pessoa que já tem certa experiência, ele sabe dos seus limites. Mas de maneira nenhuma ele pode expor que tem falhas, fato que o leva ao comportamento típico n°1 do Zé Trampinho: tentar levar os créditos por algo que ele não fez. E isso emputesse até o Dalai Lama. O lazarento, muitas vezes na presença da vitima, tem a cara de pau de falar "então, EU dei essa idéia aqui ..." e o dono verdadeiro da idéia pensa "Mas que filho da puta !!" só que ao mesmo tempo sabe que o Zé Trampinho é mais velho na empresa, e por naquele momento estar na frente do chefe maior (de quem ele já puxa o saco a uns 15 anos, mais tempo do que você tem de registro na sua carteira), a vitima em questão não manifesta a vontade quase incontrolável de mandar aquele sacripantas pra puta que pariu.
O Zé Trampinho chega cedo e vai embora tarde. Ele tenta deixar o mínimo possível de brechas para que alguém fale mal dele. Ele finge tratar bem a todos, alguns até atrevem-se a dar tapinhas nas costas do pessoal mandando aquele "ooopa, e aí, tudo bem com você?" como se ele realmente se importasse com alguém. Nem preciso dizer que ele sabe de tudo, ele já fez de tudo e o que você está pensando está errado, e que ele já tem uma sugestão pra te dar.
A pior coisa que pode acontecer, e normalmente acontece, é um chefe deixar o Zé Trampinho pensar, mesmo que por um minuto, que ele tem um pouco mais de poder que o resto da equipe (que pela hierarquia estão todos no mesmo nível). PRONTO, era a brecha que ele queria. Se antes ele precisava mostrar serviço a qualquer custo, imagina agora. Ah, sim, o Zé Trampinho se "auto-intitula" responsável pela equipe, e sai tomando conta da vida de todo mundo.
Não contente apenas com estar se sentindo o fodão, ele quer participar de todas as decisões que cada membro da equipe toma. Ele quer ser copiado em todos os emails que o pessoal recebe, quer se inteirar de todas as conversas para que assim, ele possa começar o comportamento típico n° 2: fazer o relatório dos outros como se fosse dele; se antes ele levava os créditos dos outros no "papo", agora é com documento formal.
Quando ele atinge esse estágio de pseudo-chefia, fica muito difícil ter volta. Claro, porque ele sabe que não tem capacidade de gerir aquilo tudo, então ele não pensará meia vez antes de botar no rabo do primeiro que aparecer, quando algo errado acontece. E sim, vai acontecer. Sem sentimento de culpa nenhum, ele transfere a responsabilidade (que ele mesmo roubou) de volta em um milésimo de segundo, o que chamamos de "tirar a pica do rabo e por no de outro". Isso ele faz com maestria, e o pior, com o Zé Trampinho agindo como se fosse chefe, o chefe de verdade fica cada vez mais distante, o que faz o energúmeno ter cada vez mais audácia. Mas é aí que ele se fode.
Pode até chegar um momento onde o chefe crie uma sub-hierarquia, um posto mais alto para o Zé Trampinho, e ele sem perceber que aquilo é uma emboscada, voa com unhas e dentes no novo cargo. Nesse momento, a situação será crítica e você só tem duas coisas a fazer: ou pede as contas, ou liga o foda-se e deixa ele se ferrar sozinho (o que requer paciência).
Se você for paciente, vai presenciar uma cena quase orgasmática. O dia que o Zé Trampinho se fode.
Ele cada vez mais fica envolto no próprio ego, não mais escuta a sua equipe, que são as pessoas que REALMENTE fazem o trabalho. Tudo é do seu jeito, ele nunca está errado. Até que um dia ele percebe que a bomba vai explodir no seu colo, e desesperado ele começa a pedir ajuda da equipe, em vão. Muitos foram os avisos do pessoal que ele negligenciou. Agora já não dá mais tempo, o cliente já está puto com ele, o chefe fica mais puto ainda, porque pensou que podia deixar aquela equipe na mão dele sem se preocupar, e quando cai em si, a situação está caótica. E enfim chega o grande momento. Não importa em que segmento você trabalhe, eu creio que a cena será essa em 99% dos casos: O chefe chega pisando duro, cedinho pela manhã e vai pra sala dele, deixando com aquela delicadeza um recado com a secretária "quando o Zé Trampinho chegar mande que vá direto pra minha sala" e bate a porta. A equipe já sabe que vai dar merda.
Nesse dia o Zé Trampinho se atrasa, pela primeira vez naquela empresa. Ele busca papéis, imprime emails, tudo numa tentativa desesperada e inútil de evitar o óbvio.
Quando ele chega e a secretária dá o recado, ele quase se caga. Entra na sala do chefe, e os esporros são tão altos que todo mundo ouve, e comemora discretamente. Depois de alguns minutos ele sai de cabeça baixa, mal tem coragem de olhar pra alguém. Passa reto, não fala com ninguém, arruma suas coisas e vai embora; enquanto a equipe vai para um barzinho depois do serviço para comemorar o enterro do Zé Trampinho.
Se você se identificou com algum comportamento do Zé Trampinho, acorda, tem alguma coisa errada! Pense nas suas atitudes, na ética, e no valor que as pessoas que trabalham do seu lado têm pra você, e pra empresa. Não tire créditos de ninguém, pelo contrário, divulgue seu colega que teve uma boa idéia. Isso faz bem pra ele e pra você. Não seja um bostalhão egoísta, aprenda a trabalhar em equipe.
PS: o mesmo comportamento também é valido para as Marias Trampinho.
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